Chega de açúcar! Diário de uma viciada


Desde que me entendo por gente o açúcar - nas suas mais variadas formas - está presente na minha vida. Quando era criança comia muitos doces, balas, chocolates, biscoitos e tomava refrigerante, quase que diariamente, se não diariamente. Minha mãe sempre tentava impedir. Ela raramente comia doces, acontece que tínhamos um restaurante, minha porta de acesso para o mundo das porcarias. Se ela não me desse eu pegava escondido. Não me orgulho nenhum pouco disso.

Muitos anos se passaram e continuei comendo guloseimas, mesmo "ciente" de que tudo o que comia era produzido de uma forma nojenta, que fazia mal ao organismo, que engordava e todo aquele discurso conhecido. Têm dúvida? Pesquisa do que os chicletes são feitos. 

CURIOSIDADE: No México o junk food ou o que também chamamos de porcarias são conhecidas como "comida chatarra". Em geral são alimentos com altas taxas de gordura, açúcar, sal, condimentos ou aditivos alimentícios.

Cresci, tive filhos e comecei a repensar que tipo de hábitos ou vícios - porque o açúcar é uma droga como qualquer outra, pesquisa sobre os efeitos dele no cérebro - eu estaria passando de forma consciente ou inconscientemente aos meus filhos. Comecei a ler sobre o que os carboidratos, sobretudo os refinados e açucares, fazem ao nosso organismo, sobre o processo de metabolização e produção de insulina, a médio e longo prazo. Ao mesmo tempo repensei a minha relação com o doce e de que forma ele poderia estar relacionado a muitos sintomas, incluindo a psoríase. Me interessei também em estudar mais sobre os hábitos, como eles são formados e entendidos pelo nosso cérebro. 

Um belo dia encontrei não me lembro como - alguns dirão que foi acaso, outros destino - um livro com o nome "CHEGA DE AÇÚCAR", exatamente o mantra que perambulava pela minha mente. Li a amostra, comprei e comecei o plano, isso lá pelo fim do ano passado! A autora propõe uma restrição de todos os tipos de açúcar por dois meses, incluindo as frutas porque contém frutose. No primeiro capítulo ela sugere que em vez de cortar o açúcar de forma abrupta que o faça aos poucos durante as duas primeiras semanas. Inclusive ela dá boas dicas de alimentos e receitas que ajudam na transição. 

Comecei a seguir o programa confiante de que conseguiria diminuir até eliminar os açúcares do meu dia a dia. Acontece que cada vez que eu pensava em diminuir eu me entupia de barras e barras de chocolate. Malditas promoções pague três e leve quatro! Cada vez que eu pensava em parar, mais eu comprava, mais eu comia. Cheguei ao ponto de comer um quilo de bombom em quinze dias. Dizendo para mim que quando acabasse eu começaria a desintoxicação. Ledo engano. O tempo passou e nada de começar e nem de diminuir. Consciente de que eu não conseguiria dessa maneira parti para tudo ou nada. Resolvi ser radical e restringir o consumo do dia para a noite, ou melhor do dia para a tarde.

Sempre acreditei que o meu problema não era o açúcar em si e sim o chocolate. Não costumo comer doces, mas chocolate... A ficha caiu quando comecei a ler os rótulos e percebi que sim eu era viciada em açúcar e não em chocolate porque a quantidade de açúcar contido nas barras de chocolate é muito maior que a de cacau. Bingo! Eu não era chocólatra como passei a vida pensando e sim – quem é viciada em açúcar é o que? Açucólatra? 

Ao mesmo tempo em que tomei a decisão de ser radical e começar o plano de desintoxicação, comecei a analisar os meus hábitos e percebi que aqueles bombons antes e depois do almoço não eram apenas um vício, eles faziam parte de um hábito, desenvolvido em algum momento da minha vida. 

"Nos últimos 15 anos, aprendemos muito sobre o funcionamento dos hábitos e como mudá-los. Os cientistas explicaram que todo hábito se compõe de deixa, rotina e recompensa. A deixa é o gatilho que diz ao cérebro para entrar no modo automático e usar este ou aquele hábito. Depois há a rotina, o comportamento propriamente dito, que pode ser físico, mental ou emocional. Por fim, vem a recompensa, que ajuda o cérebro a perceber se valerá a pena recordar esse hábito específico no futuro. Com o tempo, esse ciclo deixa-rotina-recompensa, deixa-rotina-recompensa, deixa-rotina-recompensa se torna mais automático e a deixa e a recompensa se entrelaçam neurologicamente". Charles Duhigg, autor de O poder do hábito.

Para testar a minha teoria, busquei novas deixas para modificar esse habito. E confesso que enquanto estou aqui escrevendo esse texto estou lutando contra a vontade de beliscar um chocolate. Faz alguns dias que iniciei a jornada “chega de açúcar”. Quer saber como foram esses primeiros dias? No próximo post conto para vocês. Também prometo em breve escrever mais sobre os hábitos, o vício, malefícios do açúcar e sobre o programa de desintoxicação que estou fazendo.

E você, é viciada (o) em açúcar também? Já fez ou pensei em fazer uma desintoxicação?
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Até mais. Thau tchau.


Obrigada pela visita!

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