Essa tal expectativa materna que criamos

Na semana que antecedeu o natal aconteceu um fato que mexeu muito comigo. Marquei uma mini sessão de fotos para registrar o nosso segundo natal com a família completa. Conversei com o Ben, expliquei o que aconteceria - ele não gosta de tirar fotos - e partimos para a ação. Os guris tiraram uma boa soneca de tarde, estávamos todos arrumados e alimentados. Comecei a gravar um vlog e pretendia mostrar os bastidores do ensaio para ter uma linda recordação desse momento. E então, me derreteria com uma foto dos meus dois filhos juntos - e esse seria o presente perfeito para os avós e dindos. Na minha cabeça tudo seria lindo, maravilhoso e mágico. Bem essa foi a minha expectativa. Agora vamos ao que de fato aconteceu.

Chegando ao estúdio a expectativa me mostrou que na prática a teoria é outra. O Vicente ficou louco com as bolas e saiu pegando, comendo e puxando tudo, até as luzes da árvore de natal. O Ben, não sei o que aconteceu com ele, na verdade sei, agiu de uma forma que nunca age. Teve um péssimo comportamento - perante a minha idealização porque ele é só uma criança e se comportou como tal - e saiu atirando as bolas de natal pelo estúdio. Só queria literalmente tirar as fotos com a minha câmera e com a da fotógrafa. Sentar ao lado do mano para uma foto então nem pensar. Lembram que eu disse que ele não gosta de tirar fotos? Pois eu esqueci.

Na hora fiquei com raiva e magoada, com vontade de chorar. E o problema não era o tempo e o dinheiro investido e sim essa tal expectativa que colocamos nas situações, nas pessoas e nesse caso, nos filhos.

Fiquei uns dois dias frustrada com o que aconteceu. Analisando a situação, o meu comportamento e os meus sentimento. Ao final, fiquei com vergonha, não dos meu filhos que se comportaram daquela maneira, mas de mim que era a adulta e que não soube lidar com a tal expectativa criada e com a realidade, quando nada saiu conforme o planejado. Esqueci que na maternidade/paternidade nada sai como o planejado. Os nossos filhos aprendem a lidar com as situações e frustrações vendo de que forma os pais lidam com as suas. E pensar nisso doeu. As crianças são esponjas e observam tudo. Elas podem não estar olhando, mas estão ouvindo e vendo o que acontece ao seu redor. Como eu vou exigir que lidem bem quando não conseguem o que querem se eu não lido bem quando não consigo o que eu quero?

Quantos acontecimentos e até mesmo relacionamentos não dão certo por causa dessa tal expectativa que criamos em cima das pessoas, não é mesmo? E quantas vezes deixamos de viver o presente e ser feliz procurando a perfeição do que idealizamos? No fundo não é o outro que agiu da forma que você não queria e sim a sua expectativa que te iludiu diante dos fatos e da realidade. E quantas vezes não colocamos expectativas demais nos outros e nos nossos filhos? E depois ficamos pelos cantos remoendo as frustrações.
Como lidar com as expectativas? Estando presente, atentos aos nossos pensamentos e sentimentos. Não posso decidir de que forma a outra pessoa vai lidar ou reagir à determinada situação mas posso escolher como eu vou me sentir perante ela. Da próxima vez pretendo parar, dar um tempo no banheiro, respirar e pensar qual é a melhor maneira de se lidar com determinada situação e com os meus sentimentos.

Depois da sessão, fomos à um café e meu filho se comportou maravilhosamente bem - lei de murphy, talvez?
Ah e tu deve estar se perguntando como ficaram as fotos. As fotos ficaram lindas. Cada uma a sua maneira.


Obrigada pela visita!

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