Eu aceito o desafio da maternidade

Sei que o dia das mães já passou, mas há muito venho pensando no que representa o verdadeiro desafio da maternidade. Há alguns meses houve uma polêmica envolvendo um tal desafio no Facebook, onde as mães deviam postar fotos lindas com os seus filhos dizendo o quanto amavam ser mãe. Muitas pessoas, especialmente mães, discordaram e publicaram fotos onde mostravam o descontentamento com a maternidade, inclusive dizendo que amavam os seus filhos mas odiavam ser mãe. Antes de mais nada quero dizer que super entendo as mulheres que não gostam da responsabilidade que implica o papel de mãe.

Quando me tornei mãe pela primeira vez, fui pega de surpresa em diversos aspectos. Como era difícil estar com um bebê 24 horas do dia em casa. Ainda mais um que nasceu prematuro e passou quase três meses no hospital! Era muita pressão. Sentimentos confusos e conflitantes. Não fui preparada para ser mãe e ninguém me contou o quanto era desafiador abdicar de si e se doar para o outro. Não conseguia descobrir porque o meu bebê chorava ou porquê ele era diferente daqueles encontrados nos manuais sobre bebês que lia.

O puerpério, aqueles dois meses após o nascimento do bebê, foi complicado. Por que ninguém nunca me contou o lado B da maternidade? Hoje, depois de dois anos eu descobri. A gente simplesmente esquece. A felicidade e o amor passam a ser maiores do que as noites sem dormir. A natureza é sábia. Caso contrário quase ninguém teria a coragem de passar por isso tudo de novo e ter mais filhos. A sobrevivência da espécie estaria em perigo.

O fato é que quando fechei os livros e parei de tentar descobrir o que havia de errado comigo, eu relaxei. E só então consegui me entregar de corpo e alma a maternagem. A partir de então deixei de racionalizar tanto e passei a simplesmente senti-la. Os conflitos iniciais - por que a cada nova fase um novo conflito começa e isso não é ruim - foram passando juntamente com os choros. Os sorrisos surgiram. Dar o meu melhor e viver um dia de cada vez eram as únicas coisas que eu podia fazer. Quando aceitei o desafio de ser mãe com o ônus e o bônus, as coisas passaram a ser mais simples. Aprendi a linguagem do meu bebê e entrei em sintonia com ele. A nossa fusão foi crescendo na medida em que o amor aflorava. Então passei a amar a maternidade.
 
Quando aceitei que a maternidade me mudou e me transformou em outra pessoa a qual até o presente momento estou tentando descobrir quem é, fiquei em paz comigo e com os outros. Quando aceitei que essa é uma fase e que vai passar eu pude vive-la em sua maior plenitude. Quando aceitei que a minha vida nunca mais seria a mesma eu passei a amar a vida que tenho hoje. Porque a vida é uma caixinha de surpresas e ela pode mudar a qualquer momento, para melhor ou para pior. É claro que sempre tenho o pensamento positivo de que será para melhor. Parece papo de louco mas veja bem, a sua vida nunca mais será como ela é hoje porque simplesmente as pessoas, as situações e os desafios mudam, o tempo todo.

Quando aceitei a responsabilidade que implica educar e cuidar de um ser humano eu passei a rever hábitos, valores e a me colocar mais no lugar do outro. Quando aceitei o desafio da maternidade, me entreguei e me tornei mãe com tudo o que essa minúscula e intensa palavra significa. Então eu passei a esquecer o mundo lá fora e passei a olhar o mundo aqui dentro de mim, da minha casa e da minha vida. Na real é tudo uma questão de ponto de vista. Tirar o foco das coisas negativas, apreciar as positivas e os presentes que vida te dá. Eu aceito o desafio da maternidade todos os dias e sou feliz por isso.

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