Saudades de casa

Morar em outro lugar que não seja a sua casa tem as suas vantagens e desvantagens. Especialmente se tratando de tamanho e de decoração. Sempre sonhei em viver em uma casa grande o suficiente para ter espaço para respirar, para ter espaço para o vazio. Onde eu não me sentisse sufocada ou com a sensação de que cada armário aberto poderia ser uma avalanche de coisas sem fim que guardamos porque precisamos guardar.


Meu sonho se realizou. Em parte. Vivo nessa casa dos sonhos, só tem um porém, ela não é minha. Tenho espaço e mil ideias para a decoração pipocam na minha mente, mas nem sei por quanto tempo ela me será emprestada. E assim, sinto saudades da minha casa, do meu canto, do meu mundo, do meu jeito. A minha casa, ou melhor, apartamento, pode não ter o espaço desejado, mas tem uma parte de mim e outra do meu amor. Ela não tem as cores que quero, mesmo assim amo os seus defeitos. Amo o cheiro e os momentos vividos e compartilhados ali. E da parte que mais sinto falta dela é do meu home office. Não dos sonhos ou de revista, mas era meu. Ali eu escrevia, trabalhava, editava, viajava, me inspirava. Agora não tenho um lugar. Enquanto me divido entre a sala de jantar e a sala de estar, olho para um espaço e idealizo um home office, ah se essa rua, se essa rua fosse minha...
Vivo o mesmo dilema quanto ao quarto do bebê. É grande, tem closet e banheiro, muito mais do que ele precisa. Tem o espaço para criar a decoração que couber na imaginação e no bolso. Só não sei se vale e a pena. Eu sei, estamos falando do quarto do nosso filho, é claro que vale a pena. Mas acontece que na minha casa no mundo real não cabe muita coisa. Ainda nem sei o que farei com o home office que hoje ocupa o futuro quarto do Benício. Penso no meio termo, no equilíbrio, penso em não pensar no depois e não tentar adivinhar o futuro. Enquanto decido, procuro ideias e inspirações. Tento o desapego e aproveito a minha casa dos sonhos, em partes, porque ela não é minha.

Obrigada pela visita!

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