Dica de filme para um fim de semana frio e chuvoso: E sua mãe também

Ao terminar esse post, percebi que estou em um fim de semana bem cinéfilo. Na sexta falei sobre o web-documentário "Boca de Rua - Vozes de uma Gente Invísivel" e hoje também trago uma dica de filme. Aqui por Monterrey a frente fria número 13 - porque no México as frentes frias recebem um número - chegou trazendo muito frio e garoa. Pra se ter ideia ontem a temperatura cegou a 4 graus de tarde e é claro que com essa previsão, o roteiro foi ficar em casa assistindo a um filme. Talvez seja por isso que o blog e eu estamos em clima de cinema. Engraçado como o clima pode nos influenciar em muitos aspectos, não? Toda caso, chega de conversa e vamos para a dica de filme, para quem assim como eu gosta de ficar de bobeira curtindo um bom filme com muita pipoca e cobertor.
Se tem um filme que fala muito sobre uma geração de mexicanos de forma subjetiva é o filme Y tu mamá también, com direção de Afonso Cuarón e roteiro de Carlos Cuáron e Afonso. Apesar de essa película ser de 2001, somente agora morando no México e depois de tanto ouvir falar dela, a vi. E posso afirmar que de fato me surpreendi, pela narrativa e principalmente pelo roteiro bem delineado. Esse é um daqueles filmes que me faz questionar porque levei tanto tempo para vê-lo.



Alfonso Cuarón ganhou sua primeira câmera de cinema com doze anos, no México, seu país natal. Desejava estudar cinemas, mas a sua mãe queria que fizesse filosofia. Para a sua alegria e a da mãe fez os dois, de manhã filosofia e de tarde cinema, no Centro Universitário de Estudios Cinematograficos. Sua primeira produção, Sólo con tu pareja (1991) chamou a atenção de Hollywood. A princesinha (1995) foi seu primeiro filme como diretor nos Estados Unidos. Em seguida, dirigiu Grandes esperanças (1998), fracasso de crítica e público, o que fez com que voltasse para as suas raízes no México e escrevesse junto com o seu irmão um roteiro maravilhoso. Para o professor Tom Stempel o roteiro de E sua mamãe também tem muitas coisas que Hollywood gostaria de fazer, mas parece incapaz de fazer bem-feito. E tem várias coisas que Hollywod nem ousa tocar. Depois desse filme, Cuáron foi contratado pela Warner Brothers para dirigir Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban (2004).
O filme narra a história de Tenoch (Diego Luna) e Julio (Gael Garcia Bernal) que são dois adolescentes de 17 anos controlados pelos seus hormônios e que desejam se tornar adultos rapidamente. Em uma tarde festiva eles encontram Luisa (Maribel Verdú), uma garota espanhola 11 anos mais velha que eles e que é casada com o primo de Tenoch. Eles a convidam para uma viagem à praia de Boca del Cielo, convite este inicialmente recusado e posteriormente aceito, após Luisa receber uma desagradável notícia. Porém, tanto Julio quanto Tenoch não conhecem o caminho até a praia e nem mesmo se ela realmente existe, fazendo com que os três se aventurem em uma viagem onde inocência, sexualidade e amizade irão colidir.
Para contar essa história temos um narrador que não é nenhum dos personagens, ele não coloca o espectador dentro do filme, mas nos convida a observar os personagens a certa distância. Os roteiristas conseguiram relacionar suas histórias com o mundo real, usaram uma história simples para nos contar muito sobre o clima social, cultural e político de seu país. E deixaram de lado um elemento importantíssimo da cultura mexicana, com a qual suspeitávamos que a história iria lidar. Mas ele não está presente nos personagens, no diálogo ou no visual, e como eles fizeram isso só é percebido depois de assistir ao filme algumas vezes.

Obrigada pela visita!

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