Aprendendo a costurar: a primeira agulha torta

Já faz um tempo que um dos meus desejos era aprender a costurar. Olhei alguns cursos ali, outros aqui, mas fui deixando para a lista de "um dia eu vou aprender" junto com aquelas outras 1345 resoluções de final de ano. O tempo passou e desde que cheguei no México coloquei isso como meta. Afinal falta de tempo já não seria mais uma desculpa. Olhei alguns cursos aqui e outros ali e encontrei um atelier onde o aluno paga por aula e ele que determina a duração do seu curso, sem falar que o lugar é um encanto. É claro, que apesar de querer começar a costurar, o começar acabava sempre ficando para a seguinte semana.
Até que olhando alguns blogs e vídeos no YouTube, coloquei na cabeça que ia comprar uma máquina de costura para finalmente parar de adiar esse momento. Namorei algumas aqui, outras ali, só na expectativa de um bom desconto, quando dando uma voltinha pelo Costco - um mercado maravilhoso que tem de tudo um pouco com qualidade e preço bom - encontrei um dos modelos da singer que estava pesquisando por aí. E não é que a danada estava mais barata do que nas lojas daqui e do Brasil? Compramos a belezura. Agora não tenho mais desculpa, tô dando uma de autodidata e estou aprendendo a costurar.


● A primeira agulha torta a gente não esquece


Em casa, com o maridão que me ajudou com a máquina, começamos a fuçar. Ele que é engenheiro e filho de costureira se tornou meu help desk, sou muito feliz por isso. Pensando em algo fácil para pegar o jeito, decidi que o meu primeiro projeto para aprender seria uma toalha de piquenique e um jogo americano de tecido.
Compramos um tecido xadrez que estava em promoção, agora sei porque ele custou tão barato e buscamos algumas ferramentas para pôr a mão na massa, ops pé no penal. Depois de alguns dias postergando esse encontro, tomei coragem e fui para a máquina. Resolvi começar pelo jogo americano, digamos que no início foi um pouco tumultuado o processo, leia-se: linha embolada, costura torta, tecido torto, quase costurei o dedo junto e no fim entortei a agulha, ainda bem que comprei um estoque. A essa altura eu pensava que coordenação definitivamente não era o meu forte. E que o meu talento para a costura tinha saído para comprar cigarros e nunca mais tinha voltado. Como eu queria aprender a costurar se nem um tecido conseguia cortar direito? Era o início, o fim e o meio.
Continuei tentando, afinal tá no sangue do brasileiro não desistir e do gaúcho de não se entregar. Mas a linha continuava embolando e eu cada vez mais bolada. Até que o Joaquim chegou e a vontade de jogar a belezura pelo espaço desapareceu. A máquina estava programada para pregar botão, por isso da linha embolada (Dã). Resolvido a questão terminei o jogo americano que ficou terrível. A culpa é do tecido que é muito grosso para isso (Aham). Passei para a toalha de piquenique, não sem antes constatar algumas coisinhas importantes para quem esta começando:

Regra número #1: Não compre tecido grosso para começar a costurar.
Regra número #2: Não compre tecido xadrez para aprender a costurar.
Regra número #3: Desconfie de qualquer tecido que esteja muito barato.


Passando para a toalha, pude provar a minha teoria de que o xadrez tinha linhas tortas. Eu não estava imaginado coisas. Coloquei o tecido no chão para medir e dito e feito, o tecido é torto. Fiquei tão feliz. Isso significa que ainda tenho um futuro no mundo das costuras. Nessa hora o Joaquim acreditou em mim e descobrimos porque pagamos o equivalente a R$5,00 por 4 metros.
Toalha medida, cortada e ainda com linhas tortas fui fazer a barra e algo continuava estranho com a linha e o ponto. Olha aqui, olha ali, a máquina estava programada para tecido strech (2X0 para a máquina). Ajuste feito, na metade do caminho a linha de baixo terminou, desfiz todos os pontos e vou recomeçar a amanhã. Sei que posso fazer melhor, só falta prática e paciência e muita. Mas mal posso esperar pelas saias, vestidos, blusas, almofadas, jogos americanos...

Obrigada pela visita!

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